RSS

Sobre a sua pobreza interna

Falar sobre preconceito parece algo batido, certo?

Vejo muita gente falando sobre preconceito contra homossexuais, negros, obesos, etc. Sim, temos que falar disso, temos que combater todos esses tipos de preconceito, todas essas lutas são muito importantes, mas não falarei delas agora.

Agora falarei sobre outro tipo de preconceito: o preconceito contra gente pobre (pessoas com pouca condição financeira). e começarei falando sobre algo que aconteceu comigo e que serviu de fator analisador para essa reflexão.

Certo dia eu estava em um desses restaurantes de fast food em uma “área nobre” da cidade de São Paulo e enquanto eu esperava na fila para pegar meu lanche, uma criança entrou pedindo comida para as pessoas que estavam na fila. Para conseguir a atenção de uma senhora que estava pedindo, a criança tocou-a no braço. A reação dessa mulher me provocou um asco tão grande que tive vontade de vomitar. Ela olhou para a criança com cara de nojo e disse: “- Não encoste em mim, não tenho nada para te dar, sai daqui.” após isso ter acontecido, a criança saiu (visivelmente magoada) e ela foi ao banheiro lavar os braços (sim, ela saiu com os braços inteiros meio molhados) e depois perguntou ao operador de caixa se tinha álcool em gel.

Veja, não preciso me alongar muito quanto a gama de sentimentos que tive ao ver a cena.

Quantas vezes você já não passou ao lado de alguém pedindo algo para comer como se passasse por cima de uma pedra?

Vivemos em um lugar onde o número de moradores de rua é enorme. Essas pessoas precisam de apoio, precisam de ajuda. E não me venha com esse papinho burguês de que “ah, não tem o que comer porque não quer trabalhar”, quem vai dar oportunidade para alguém que está sujo, cheirando mal e sem lugar para morar ?

Você já notou que muito moradores de rua quando ganham a atenção de alguém acabam “alugando” a pessoa? eles precisam de atenção também, como todo mundo. Eu sei, eu sei, você está muito ocupado pensando no que vai pedir pra sua empregada fazer pro jantar, né?

Já vi uma pessoa da minha casa negar um tomate com sal para um morador de rua. Juro a vocês que o que ele pediu foi um tomate com sal ou um pão velho. Desde então eu tento atender o portão antes de qualquer pessoa.

Pensem comigo, ter “medo de mendigos”, ignorar essas pessoas, tratá-las mal… Esse tipo de ato reforça o comportamento agressivo de quem vive nessa situação. Se você está com fome e ninguém te dá o que comer, você vai roubar ou vai morrer de fome.

Já tentaram me assaltar inúmeras vezes nessa cidade, a culpa é de quem tentou me assaltar ? Sabemos que não. A culpa é de todo um histórico que nós fazemos, a culpa é dessa exclusão maldita com as pessoas de baixa renda.

Se as pessoas que tem bolsa estudantil em uma faculdade particular sofrem preconceito, imagina quem não tem dinheiro pra ter uma roupa limpa ou uma refeição ?

Só pra ilustrar um pouco, fica um vídeo importantíssimo, espero que todos vejam.

http://www.youtube.com/watch?v=U08cmyvhtFs

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em outubro 9, 2012 em Uncategorized

 

Sobre pensar o pensar

As vezes você não sente um desespero que não sabe de onde vem ?  Ou melhor, que você não quer saber de onde vem.

Essa sensação de vazio que está sempre ai, mesmo que você a esconda atrás de um celular caro e roupas de marca, essa incapacidade de olhar pro mundo que existe além do seu próprio umbigo, sabe o que é isso? é pura e simplesmente medo.

Medo do que? 

Medo de que a realidade fora do seu mundinho particular te machuque, fazendo com que você saia dessa sua zona de conforto tão “duramente” construída ao longo desses anos em que você foi alheio a todos os problemas do mundo que foram esfregados na sua cara.

Quando te perguntam se está tudo bem, o seu piloto automático diz prontamente que sim, mas se você olhasse ao redor, apenas se desse ao trabalho de levantar os olhos e olhar, veria que não está tudo bem. Se você acha que está tudo bem é porque você não está prestando a menor atenção ao que se passa.

Será que não te incomoda saber que enquanto você anda sobre os seus tênis de quinhentos reais, alguém (provavelmente da sua família) está negando comida a uma pessoa que pediu ao lado da barraquinha de churrasco na rua ?

Não te dá nenhuma “coceirinha” saber que uma grande parcela dos alunos do Brasil (frutos do sistema educacional desse país) sairão com diploma de ensino médio mas serão analfabetos funcionais?

Não te dói a alma ver gente que trabalha muito e ganha pouco dando uma grande parte da sua “recompensa mensal” para alguma igreja?

Pessoas, me façam um favor, parem com essa preguiça intelectual, façam algo! Não fiquem apenas com cara de animais de pasto vendo a vida passar.

Falem, escrevam, cantem, dancem, briguem, discutam, se expressem. EX-pres-sem – para FORA – para fazer alguma diferença.

Façam manifestos, lutem pelo que acreditam e,caso não acreditem em nada, passem a acreditar pelo menos que vocês podem fazer alguma diferença nesse mundo torto, o resto vem como consequência.

“Can’t you see?
Salvation without fight?
Can’t you see it?
That you are blind?”

 
1 comentário

Publicado por em setembro 27, 2012 em Uncategorized